Turnover: o bem ou o mal necessário?

Quem já não passou ou conhece alguém que trabalha em alguma empresa, na qual freqüentemente recebe o aviso pela intranet ou outro canal de comunicação interna utilizada pela mesmo, informando a entrada e saída de colaboradores, tem situações em que a pessoa acaba de entrar e quando será repassada a informação de sua contratação a mesma acaba saindo antes, essa situação é conhecida como turnover. A idéia desse artigo é debatermos se a inexistência deste acontecimento é boa ou ruim.

Muito se fala sobre a Rotatividade ou turnover nas empresas, afinal, cada dia cresce a consciência de que esse é um “grande buraco negro” não somente nas finanças, mas também no dia a dia das empresas. O tempo do RH, DP, dos Gerentes e de toda equipe se esvai com o entra e sai dos funcionários, sem falar da queda de produtividade. Mas um ponto a ser considerado, quando que o turn over é bom ou ruim?

A pergunta que surge é a seguinte. Quando um profissional de nível operacional, auxiliar de limpeza ou de escritório, por exemplo, fica desempenhando a mesma função por anos em uma empresa, esse seria um resultado positivo de baixo turnover?

Por um lado a troca constante de pessoas significa a perda de conhecimento, de inteligência, de entendimento e de domínio dos processos internos e externos à organização, de relacionamento com clientes, negócios e mercado – perdas muitas vezes intangíveis. Todo esse drama se não for muito bem planejado, além de ser oneroso para a organização, demonstra que algo não está indo bem e que precisa ser imediatamente melhorado ou mudado.

Só que em outra forma de analisar, um profissional que está por um bom tempo estagnado na sua função parou de evoluir, não foi atrás de novas competências, desafios e pode ter deixado de agregar para a empresa até mesmo para a sua própria carreira. Além disso, depois de certo tempo, começam as reclamações salariais juntamente com a diminuição do interesse pela sua atividade. Claro que alguns vão lembrar, mas porque essa empresa não desenvolveu um plano de carreira? Só que sabemos que essa ferramenta gerencial não abre oportunidades para todos.

Dessa forma, acredito que existem níveis saudáveis, aceitáveis e até mesmo necessários de turnover, dependendo da posição dos cargos avaliados, porque vejo que ninguém fica motivado por longo tempo, executando uma atividade operacional como limpeza, rotinas escritório ou telefonista, a grande parte das pessoas vislumbra um crescimento mesmo que seja pequeno e nem sempre a organização que está inserida tem como oferecer. Então técnicas como planejamento de carreira individual, ultrapassando as barreiras da própria empresa pode tratar o turnover com uma maior naturalidade e planejamento, sem grandes perdas, até porque ninguém é insubstituível.

Otavio Ferreira Filho
otavio@dinamicapessoas.com.br

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