Sinos da mudança

Final do ano, papais-noéis e neve falsa em cada esquinas que viramos. É tempo de repensar o passado, perdoá-lo e escutar os sinos inditosos do novo ano que se anuncia, planejando o futuro próximo. Com isso  vem sempre as malfadadas esperanças de que tudo dê certo, de que esse ano vai ser diferente, vou perder aqueles quilos a mais, vou comprar aquele carro ou juntar aquela grana. E aí, entre um peru e outro, fazemos planos e promessas para o ano vindouro. Muitas delas fracassam, é claro, por que o ser humano não tem como um de seus pontos mais fortes a disciplina.

Mas não é disso que quero falar. Não dos fracassos. Quero falar da fórmula mágica que faz aqueles planos darem certo. E qual seria essa tão esperada revelação? A resposta: depende. Depende do tipo de sonho, do tipo de plano. Muitas coisas – é bem verdade – dependem só da gente, mas na hora de sair prometendo mundos e fundos para o nosso futuro, não podemos esquecer da sempre imprevisível ambiência. É aquela viagem ao exterior que vai para o saco depois de uma subida galopante do dólar, como aconteceu no ano passado. Portanto, mais que planejar e se prometer coisas, é preciso ter um horizonte. E aqui chegamos, depois de todo esse rodeio no que, de fato, eu queria falar. Dos horizontes.

Horizonte, de maneira geral, significa aquela linha que vemos ao longe, onde o céu – literalmente – toca a terra. Cada passo que damos em direção a ele, mais atrás ele fica. Esse caminhar constante, com os olhos postos em algo tão largo é o que nos motiva e nos anima. É a nossa utopia. Ver seu horizonte é ter um plano de vida pessoal, que vai muito além do ter, e toca o ser. Comprar um carro, uma casa, fazer uma viagem dentro de um Schedule todo organizadinho é completamente frustrante, se não conseguimos colocar isso numa perspectiva de longo prazo. Num tempo em que as empresas cobram planos e em que todo mundo é impelido a tê-los, muitos saem por aí apenas criando “to do list”, sem parar para pensar como, realmente, gostariam de ser lembrados. Então, a dica é essa, planejar, sim, mas com os olhos postos no horizonte de nossa existência. Ah, sim: um ano novo cheio de planos e realizações para todos.

Marcelo Cordeiro
cordeiromarcelo@gmail.com

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