Qualidade Passa a Faixa para a Inovação

Assim como a “Qualidade” foi o foco de diversas empresas na década de 1990, desde o início deste novo milênio, a “Inovação” tem se tornado o novo mantra dentro das corporações, ganhando força nestes últimos dois anos. E a tendência é que a inovação também chegue às micro e pequenas empresas, haja vista as campanhas que entidades empresariais (cito a FIERGS em todo o Rio Grande do Sul e, mais especificamente, a prefeitura municipal em Santa Maria) vêm realizando e tornando esse conceito algo cotidiano a todos os gestores.

Ok, mas qual a relação deste assunto com o tema do blog? Podemos dizer que tudo! Vejo a dependência das pessoas no processo de inovação sendo muito maior do que na gestão da qualidade por exemplo. Enquanto que a qualidade tem uma orientação para processos, a inovação está nas mãos dos colaboradores e mais do que uma cultura, ela requer a competência de criatividade orientada para resultados e a gestão adequada destes dois fatores.

Acho interessante o que afirma o diretor do Center for Innovation, Excellence and Leadership de Cambridge (EUA), Hitendra Patel: “A gestão da inovação está emergindo como uma nova disciplina gerencial. Uma disciplina ampla e revolucionária como foram a tecnologia da informação (entre 1960 e 1980) e a gestão da qualidade (entre 1970 e 1990)”. A colocação de Patel é interessante ao ser analisada sob o ponto de vista de que nem todos os gestores estão preparados para gerir a inovação, realizando planejamento, acompanhamento e mensuração de resultados.

Este é um ponto crítico para as empresas que buscam inovar: onde, quando, como e com quem inovar? Como conduzir a inovação de forma disciplinada e planejada? Ou seja, fatores diretamente ligados ao empreendedor e ao gestor responsável. Para tentar auxiliar a resolver esta questão, e como tem virado praxe nos meus últimos artigos, deixo algumas dicas para as empresas que buscam a inovação:

  1. Entenda o real conceito de inovação: inovação não é apenas criar algo que ninguém nunca pensou, um produto diferente de tudo que se tem no mercado. O manual de Oslo (documento tido como a bíblia da inovação), define: “Uma inovação é a implementação de um produto (bem ou serviço) novo ou significativamente melhorado, ou um processo, ou um novo método de negócio, ou um novo método organizacional nas práticas de negócios, na organização do local de trabalho ou nas relações externas”.
  2. Crie canais de informações internos e externos: todos os seus stakeholders devem ser importantes parceiros no seu processo de inovação. Estabeleça um canal de troca de informações com clientes, parceiros, sociedade, fornecedores e, claro, com o toda a sua equipe.
  3. Seja persistente: nem sempre se acerta no primeiro projeto. Com o tempo a equipe desenvolve a capacidade de alinhar o timming do negócio com a capacidade produtiva, para isso, o gestor precisa das próximas dicas.
  4. Não desperdice idéias que talvez no momento não sejam as melhores: muitas vezes não percebemos a real potencialidade de uma idéia em função da percepção de consumo e mercado. Crie um banco de idéias (aos curiosos, recomendo acessar o Novitate, o qual tem o propósito de gerenciar o processo de inovação e armazenar idéias), as armazene e as avalie periodicamente, pois idéias consideradas ruins hoje podem ter o seu momento em um futuro.
  5. Acompanhe o mercado: entender o que o mercado demanda é fundamental para orientar a inovação, evitando perda de tempo e mantendo o foco.
  6. Diversifique seus conhecimentos: quanto maior for a sua bagagem de conhecimentos mais fácil será perceber oportunidades e engajar a equipe no projeto. Seja um especialista, mas tenha conhecimentos complementares.
  7. Busque conhecimentos e recursos: compartilhe os riscos, entidades públicas como a FINEP, SEBRAE e BNDES possuem recursos e condições de financiar projetos realmente inovadores.
  8. Comprometa a equipe: toda a equipe deve estar envolvida e não apenas o setor de pesquisa e desenvolvimento. A inovação deve estar no centro do negócio, ligada diretamente à gestão e permeando todos os setores, gerando idéias e visões que irão contribuir para um projeto alinhado ao mercado.
  9. Combata a zona de conforto: a visão de curto prazo é uma das maiores barreiras da inovação. “Sair do quadrado”, movimentar a equipe criando uma cultura de mudança é a pedra fundamental para que qualquer um possa inovar dentro da empresa.
  10. Cobre resultados, mas premie e reconheça as competências: valorize as boas idéias, se possível distribua os resultados gerados por ela aos seus criadores, afinal a inovação tem que ser algo que beneficie a todos.

Daniel Rios Viana
daniel@dinamicapessoas.com.br

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