Mídias Sociais, RH e Geração Y: o que muda nas empresas?

A cada dia me impressiono mais com o poder que as mídias sociais têm. Já falamos algumas vezes aqui no blog sobre a web 2.0 e seus impactos nas empresas e na área de RH, sobre a sua utilização como ferramenta para treinamentos, comunicação ou recrutamento de candidatos. Mas o meu foco neste artigo é tentar expor números, dados que comprovem estas mudanças e mostrar também um pouco das tendências nesta área.

Em dezembro, o portal da revista EXAME publicou um artigo com o título “A Seleção Mais Concorrida do Brasil”, no qual abordava as estratégias utilizadas AmBev para obter o número recorde de 60 mil candidatos inscritos em seu programa de trainee. Entre os caminhos explorados pela empresa não podiam deixar de constar as mídias sociais, incluindo o lançamento de um site específico para o programa que teve mais de 300 mil acessos, blog de ex-trainees da empresa, participação de altos executivos em bate-papos, além de lançar um jogo no Orkut. Claro que não se deixou de investir em canais tradicionais, porém os resultados obtidos foram fortemente impactados pela política de atuação na web.

Ok, mas para recrutamento para programas de trainee já está virando praxe a utilização da internet. Mas você já pensou que podemos ter uma redução de até 20% no uso e-mails corporativos? É isto que a Gartner prevê que aconteça até 2014, quando as redes sociais corporativas já terão ganhado corpo e mais de 50% das organizações já irão dispor de um sistema como esse para trocar de informações, avaliar desempenhos e gerir de forma participativa suas equipes, melhorando a sua produtividade.

Estes dados apresentados colocam um contraponto ao estudo global realizado pela Socitm (Sociedade de Gestão e Tecnologia da Informação) que aponta que cerca de 90% dos conselhos de administração das empresas adotam políticas proibitivas de acesso às redes sociais. Entre as causas que levam a estas proibições estão o receio em relação à exposição a vírus e outras ameaças e visão de que o acesso a este tipo de sites representa na verdade uma perda de tempo aos colaboradores.

Este gap entre a proibição e o uso das mídias sociais pode ser explicado pela ascensão da geração Y aos cargos de gestão? Muito provavelmente. Ione Coco, vice-presidente regional dos Programas Executivos (EXP) da Gartner para a América Latina, ainda em 2008 afirmava que “até 2015 essas pessoas (da geração Y) gastarão mais de 80% do seu tempo trabalhando em colaboração, e não necessariamente de forma presencial como acontece em grande proporção hoje.”

Todo este movimento exercerá uma forte pressão nas estruturas das empresas, as quais precisaram ser mais flexíveis, colaborativas e ágeis. Imagine qual será a visão do novo trainee da AmBev sobre a web quando ele estiver ocupando uma posição de gestão, será que ele pensará na proibição do acesso ao Orkut, por exemplo? Será que todas estas informações servem para uma reflexão sobre o nosso modo de agir, enquanto gestores, hoje? Ou são apenas mais dados que apontam tendências em algo fora da nossa realidade ou um futuro distante?

A discussão é no mínimo válida, mas eu acredito nas tendências apontadas pela Gartner.

Grande abraço!

Daniel Rios Viana
daniel@dinamicapessoas.com.br

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