Qual é a sua geração?

Recentemente fui convidado pela AEAD para participar do evento ADM em Pauta – o qual acontece no próximo dia 18/03, às 19:30 no auditório do Centro de Ciências Sociais e Humanas da UFSM – para tratar do tema Geração Y. Hoje verifiquei as categorias do blog e vi que em 4 oportunidades tratamos deste tema: Como reter a Geração Y?; Mídias Sociais, RH e Geração Y: o que muda nas empresas?; Como dar feedback para profissionais da geração Y; e Brasil: nem X, nem Y. Geração XY. Cada artigo teve um diferente enfoque, mas há muito mais a ser explorado e como já vou falar sobre este tema na semana que vem, aproveito a onda de idéias e trago mais algumas percepções sobre os conceitos de Baby Boomers, Geração X e Geração Y.

Antes de qualquer coisa, vamos estabelecer uma linha do tempo: em 1945 o mundo celebra o fim da segunda grande guerra mundial, os países europeus encontram-se devastados, os EUA e a antiga União Soviética adotam políticas de incentivos financeiros para a reconstrução destas nações. O que se nota é o fortalecimento do lado capitalista, com o crescimento de grandes empresas transnacionais impulsionadas pelo desenvolvimento tecnológico da corrida espacial e novas necessidades demandadas por um mundo ansioso por novos ares.

Neste cenário surge a nossa primeira geração, os Baby Boomers. Os nascidos entre 1946 e 1964 auto intitulam-se “a geração que mudou o mundo” e com a devida razão. Durante este período houve uma explosão demográfica principalmente em função do ambiente favorável e de prosperidade social vivida no bloco capitalista. Alguns ícones atuais são baby boomers como Bill Gates, Bill Clinton e Steve Jobs. Foi esta geração que introduziu a Segurança Social e a idéia de que se devia descontar/poupar para viver quando deixassem de trabalhar, além disso, fatos como a ida do homem à lua, o capitalismo e o consumismo, o Rock n’ Roll, o movimento Hippie, a contestação política e social, os movimentos pela paz e a guerra do Vietnam, a guerra fria, a comida rápida, a ideologia libertária, o feminismo e a revolução sexual, marcaram a vida dos hoje sessentões. Enfim, empreendedores, arrojados, dedicados ao trabalho, com fortes relações pessoais e trabalho em equipe.

O esperançoso mundo dos baby boomers deu lugar às incertezas da Guerra Fria, um mundo mais realista e pessimista. Até então, no universo corporativo predominava a relação comando-controle, o chefe manda, o funcionário obedece. As coisas eram mais simples. Com a necessidade de as empresas se tornarem mais competitivas, surge a Geração X (nascidos entre 1965 e 1975), pessoas que buscaram tornar o mundo mais humano sob o ponto de vista do trabalho, mas focaram em processos, automatização, enfim, ações que fizeram com que surgissem a internet, a telefonia móvel e o “Toyota Way”.

Muitos consideram a Geração X como a geração perdida, mas a verdade é que ela simbolizou uma fase de transição importante no mundo, consolidando as idéias dos baby boomers e tornando o processo de decisão mais analítico do que feeling ou timing. No Brasil, é importante ressaltar que o processo de transição foi mais lento, a influência liberalista da geração pós-guerra foi gerar resultados no final dos anos 80 e o modelo analítico e em busca de estabilidade ainda predomina em determinadas regiões e empresas de nosso país.

Mas a disseminação da informação e a velocidade com que as novas tecnologias foram incorporadas nas culturas dos países ditos desenvolvidos e em desenvolvimento vem fazendo com que a Geração Y “surja mais rápido” em todo o mundo. E talvez “rapidez” seja uma das palavras que melhor descreve essa nova leva de pessoas e profissionais nascidos entre 1976 e 1994. Nós (estou me incluindo junto) já tivemos um acesso mais fácil ao computador pessoal, aprendemos rapidamente a como extrair o melhor da internet, demos início ao surgimento de novas revoluções com base em programação, web, comunicação móvel, fazendo do mundo um lugar mais ágil.

Aqui na empresa quando queremos explicar a influência das redes sociais nas empresas, usamos o exemplo do Youtube e da TV Globo: enquanto a Globo gera 4.500 horas de conteúdo em um ano, no mesmo período mais de 450.000 horas de conteúdo são postadas no maior site de vídeos. Ou seja, estamos cada vez mais expostos à informação, cada vez mais somos bombardeados por conhecimentos e isso nos torna profissionais mais exigentes, possuindo como características a agilidade, o senso de oportunidade aguçado e o desejo por desafios, ao mesmo tempo que não temos apego às relações pessoais e uma inquietação permanente, o que de certa forma bagunça a gestão das empresas.

A evolução é natural e é catalisada pela tecnologia, uma nova geração chamada de “Z” está vindo aí, mas isso é assunto para outro artigo.

Boa semana a todos!

Daniel Rios Viana
daniel@dinamicapessoas.com.br

Related Posts with Thumbnails

Deixe uma Resposta