Modismos corporativos: será que a minha empresa precisa de tudo isso?
Falar em modismos corporativos não é nenhuma novidade, afinal são inúmeras as práticas que se disseminam em grandes empresas e, normalmente através de empresas de consultoria, acabam sendo replicadas ou adaptadas às realidades de organizações de médio ou pequeno porte. Estes modismos, na maioria das vezes, acabam criando processos burocráticos e com grande quantidade de informações, imprescindíveis no dia-a-dia de uma multinacional, mas que podem acabar atrapalhando a gestão de um empreendedor que possui menor estrutura.
Dentro da área de gestão de pessoas os modismos giram em torno de técnicas como coaching, qualidade de vida no trabalho, programas de benefícios flexíveis, gestão por competências e descentralização de RH. Minha proposta neste artigo não é discorrer sobre as aplicabilidades de cada uma destas ferramentas (aliás, é um bom tema para um próximo post), mas sim propor uma reflexão sobre a situação da sua empresa e do setor que você gerencia ou participa.
Algum tempo atrás um empresário me comentou: “Não quero crescer, não preciso sair daqui. Por que eu iria para outra cidade? Só para me gerar incomodo?”. Pensando na razão essencial da existência de qualquer empresa que é gerar retorno sobre o investimento dos acionistas, esta seria uma posição contraditória. Mas mesmo sendo questionável, ela também pode ser defendida sob o ponto de vista do controle, da qualidade de vida do empresário ou pelo risco que um novo mercado pode gerar. Aí me pergunto: uma empresa como esta,
precisa de quais técnicas de gestão? Uma gestão por competências funcionaria?
Toda organização deve possuir um objetivo, mesmo que cognitivo, não formalizado, mas deve ter um caminho a trilhar. Não crescer é uma opção, neste caso o objetivo é manter o que já se possui e para isso, sim, a empresa precisa se atualizar de qualquer maneira, pois corre o risco de sumir frente ao expansionismo dos concorrentes. Mas como uma empresa assim vai querer ter uma política de retenção de talentos se as oportunidades de crescimento são escassas? Como o RH vai agir se o desafio – considerado o principal fator de motivação – é estático, não existindo a perspectiva de uma grande melhoria logo à frente?
O que quero dizer com estas divagações é que todas as técnicas de gestão podem ser traduzidas à realidade de cada organização, mas não se pode esquecer de alinhar os objetivos destas técnicas com os da empresa. Principalmente o setor de RH deve estar atento a isto. O gestor de pessoas desta empresa, por exemplo, deve ter a ciência de que poderá ter um turnover elevado e que mesmo uma política agressiva de remuneração e benefícios pode não gerar os resultados que se espera, já que as outras necessidades dos colaboradores não estão sendo atendidas.
Então, muito cuidado ao implementar aquela espetacular ferramenta que você conheceu em um seminário. Cuide também no momento de contratar uma empresa de consultoria para ser sua parceira no desenvolvimento desta ferramenta, verificando, sobretudo, a capacidade de diagnóstico e percepção da realidade que ela tem sobre a sua empresa. Os modismos se disseminam pelos resultados que eles já geraram, mas se eles não forem bem entendidos e trazidos ao contexto que você vive, ao invés de facilitar, eles podem se tornar uma bela dor de cabeça.
Bom feriado a todos!
Daniel Rios Viana
daniel@dinamicapessoas.com.br