Quando o código de conduta informal falha…
Dias atrás, após o clássico do futebol entre São Paulo e Corinthians, o então Diretor Comercial da Locaweb, Alex Glikas, fez algumas infelizes declarações através de seu twitter, insultando os torcedores sãopaulinos. O desfecho da história todos já conhecem, o executivo foi demitido e a empresa obrigada a publicar um pedido de desculpas. A postura da Locaweb foi a esperada por grande parte do público e mídia, além das desculpas, a empresa ainda declarou que irá adotar medidas que normatizem a conduta de sua equipe em redes sociais. Mas é preciso que algo deste gênero aconteça para que se tomem providências?
O objetivo deste post não é tratar deste caso específico, mas sim usá-lo como exemplo para aquelas empresas que acreditam que a ética e a conduta de sua equipe deve ser guiada pelo bom senso. Não são poucos os casos de empresas que sofreram com o vazamento de informações confidenciais ou de posturas inadequadas por parte de seus colaboradores. E não estou falando apenas de redes sociais e internet, mas também do dia-a-dia, onde em determinados momentos basta um simples comentário descuidado de um funcionário, pode gerar um belo problema para a empresa.
Lembro de um caso onde um funcionário da construção civil, sem pensar nas conseqüências, comentou com vizinhos que sempre recebia o seu pagamento nas sextas-feiras em dinheiro. Resultado: uma semana depois, o proprietário da empresa foi assaltado, sendo levado todo o valor que seria pago aos colaboradores naquela sexta-feira. Mas aí fica a pergunta: de quem é a culpa? Do funcionário descuidado ou da empresa que não o instruiu?
É claro que ambos possuem culpa, mas é fundamental que as empresas percebam que, com medidas simples, podem evitar grandes transtornos. Muitas vezes ignorado, os códigos de conduta são ferramentas importantíssimas que devem ser utilizadas durante a ambientação dos novos colaboradores, já os treinando desde o momento de entrada na empresa com as regras e normas que devem ser exercidas, além da definição de punições e restrições caso alguma delas descumprida. A Rede Globo, por exemplo, criou um manual de conduta quando se deparou com seus artistas divulgando informações na internet sobre capítulos de novela que ainda não tinham ido ao ar.
Mesmo que tenhamos que conseguir separar nossas vidas pessoal e profissional, é intrínseco que a imagem profissional pode ser afetada pela conduta pessoal e as empresas não podem esperar que apenas o bom senso de seus colaboradores seja suficiente para evitar distúrbios em sua marca. Para exemplificar, convém lembrar o caso da Renault na Fórmula 1, onde a equipe obrigou o piloto Nelson Angelo Piquet a provocar um acidente que culminou na vitória do seu companheiro de equipe Fernando Alonso. O chefe da equipe, Flavio Briatore, e o diretor técnico, Pat Symonds, acabaram demitidos, mas isto não evitou que a imagem da empresa fosse arranhada, culminando com a perda de importantes patrocinadores da equipe.
É impossível que a empresa tenha total controle sobre o comportamento de seus colaboradores – isto por si só já seria antiético. Porém, cabe aos gestores precaver-se contra problemas que descuidos da equipe podem causar como nos exemplos da Locaweb e da Renault, adotando medidas preventivas que possam alertar desde o início as implicações que estas desatenções podem gerar. A melhor alternativa para isso? Um código de ética e conduta formalizado e disseminado por toda a equipe.
Daniel Rios Viana
daniel@dinamicapessoas.com.br