Vida de Estagiário? Eles estão cansados disto.
A vida de estagiário não é algo fácil. Mesmo sendo uma fase fundamental para o aprendizado do universitário e de aproximação com o mercado de trabalho, não são poucas as empresas que recorrem a estagiários como forma de fugir dos encargos sociais, colocando-os em atividades rotineiras ou de baixo risco para proporcionar um suposto aprendizado do dia-a-dia de uma empresa. Concordo que se gere um aprendizado, mas será que um estagiário é capaz de apenas isto?
O perfil da geração Y já foi tratado algumas vezes aqui no blog, então não é necessário retomá-lo, mas podemos considerar que as características desta geração contribuem para a mudança de mentalidade dos estagiários. Inclusive, a própria mudança na legislação, ocorrida no ano de 2008, foi algo positivo e que contribui neste sentido.
O que temos notado é que o desafio se tornou a palavra-chave para gerar ganho mútuo, proporcionando aprendizado ao estagiário e algo concreto para a empresa. As grandes empresas já possuem em seus programas de estágio uma metodologia de aprendizado e preparação, intercalando desafios e treinamentos, de um modo semelhante ao que era restrito aos trainees.
As médias e pequenas empresas podem justificar que não possuem recursos disponíveis para investir em algo semelhante. Porém, é possível observar que quando o universitário é alocado em um projeto alinhado ao ser perfil comportamental e desejo de carreira, ele busca o conhecimento necessário que talvez ainda não possua. Busca professores, livros, blogs, Google, em resumo: consegue alternativas para obter o resultado esperado.
E se engana quem pensa que este não é um assunto estratégico. O ponto crítico aqui está em encarar com seriedade a contratação de um estagiário, realizando um adequado planejamento de funções que atendam as necessidades da empresa (inclusive algumas atividades rotineira, por que não?), contribuam para o desenvolvimento do universitário e gere um resultado concreto, de valor para ambos.
Para quem quer algo mais:
Uma boa dica é conhecer o programa BITEC (Programa de Iniciação Científica e Tecnológica para Micro e Pequenas Empresas), promovido pelo Instituto Euvaldo Lodi – IEL, que chega à sua 10ª edição neste ano. O programa proporciona que, a partir de necessidades identificadas nas micro e pequenas empresas participantes do programa, alunos de graduação selecionados e orientados por um professor gerem soluções que possibilitem o desenvolvimento tecnológico e ampliem a produtividade da empresa. As bolsas pagas aos estagiários são compartilhadas entre a empresa e o IEL, e os melhores trabalhos concorrem ao Prêmio BITEC ao final do período de vigência do programa.
Daniel Rios Viana
daniel@dinamicapessoas.com.br