A pessoa boa, mas não no lugar certo
Quando você, gestor de RH, gerente ou líder de alguma equipe, sentir a necessidade de controlar mais de perto uma pessoa e/ou acompanhar os resultados do seu trabalho, é porque pode ter errado no processo de seleção. As melhores pessoas não precisam ser gerenciadas nem controladas. Orientadas, ensinadas e conduzidas sim, mas não rigidamente controladas.
Todos nós já vivenciamos ou observamos o seguinte cenário: temos uma pessoa que não se encaixa no barco e sabemos disso. E no entanto esperamos, adiamos, tentamos alternativas, damos uma terceira e uma quarta chance, esperamos que a situação melhore, investimos tempo tentando gerenciar adequadamente aquela pessoa, montamos pequenos sistemas para compensar as falhas dela e por aí vai. Mas a situação não melhora.
Constantemente vemos nossa energia desviada porque pensamos naquela pessoa. Pior: todo tempo e energia que consumimos com aquela pessoa suga a energia que poderíamos estar usando para desenvolver e trabalhar com as pessoas que estão mais engajadas. E continuamos a tropeçar pelo caminho, até a pessoa pedir para sair (terminando o impasse), ou então finalmente agirmos colocando um ponto final.
Enquanto isso, nossos melhores profissionais se perguntam: Por que você demorou tanto para fazer isso?
Deixar que as pessoas não engajadas permaneçam no posto é injusto para com todas as que estão trabalhando juntas e em um objetivo comum, já que elas inevitavelmente têm de compensar as inadequações dessas pessoas. Pior ainda: pode incentivar as pessoas certas a deixar a empresa.
Os profissionais de excelente desempenho são intrinsicamente motivados pelo desempenho em si, e quando eles vêem seus esforços serem impedidos por terem de carregar peso extra, acabam se frustando.
Esperar demais antes de agir é igualmente injusto com as pessoas que têm de sair do barco. Para cada minuto que você permite que uma pessoa continue a ocupar um posto, quando você sabe que aquela pessoa não vai dar certo no final, você está roubando uma parte da vida dela – tempo que ela poderia usar para encontrar um lugar melhor para trabalhar, onde possa florescer e utilizar a sua competência.
Na verdade, se formos honestos conosco, o motivo principal pelo qual esperamos demais em geral tem menos a ver com preocupação com aquelas pessoas e mais a ver com nossa própria conveniência. Ela está fazendo um trabalho razoável e seria uma trabalheira substituí-la, então evitamos a questão. Ou então consideramos todo o processo de enfrentar o problema estressante e desagradável. Assim, para economizar o nosso próprio estresse e mal-estar, esperamos. E esperamos. E esperamos.
Enquanto isso, todas as melhores pessoas continuam a se perguntar: “Quando é que eles vão fazer algo em relação a isso? Por quanto tempo isso ainda vai continuar?”
Otavio Ferreira Filho
otavio@dinamicapessoas.com.br