RH Romântico
Existe um consenso de que qualquer ação proveniente da área de recursos humanos tem uma difícil mensuração de retorno. Muito mais simples é contabilizar os ganhos obtidos com uma nova política de preços, com a otimização de processos e redução de custos, uma vez que estes interferem rapidamente no quadro financeiro da empresa. Este e outros fatores sempre caracterizaram a gestão de pessoas como um romance, bem ao modelo Machado de Assis e José de Alencar.
Na verdade essa premissa teve lá sua certa validade durante algum tempo. Afinal de contas, durante alguns anos a gestão de colaboradores se resumia a passar a mão na cabeça, apoiar as causas trabalhistas e distribuir sorrisos. E foi por isso que a principal saída para a redução de custos tornou-se o corte na força de trabalho. Ou seja, as pessoas até tinham a consciência de que os romances eram importantes, entretanto isso se devia muito mais ao respeito pelos poetas do que a satisfação de uma prazerosa leitura.
Literaturas a parte, a área de recursos humanos viveu anos de caráter extremamente operacional quando nos deparamos com o departamento de pessoal. Tudo se resumia em folha de pagamento, férias e cartão ponto. Não que as atividades burocráticas não façam parte do RH, elas até fazem, mas os componentes comportamentais fundamentados e constantemente atualizados se colocam ao lado dos avanços ocorridos nessa área nos últimos anos. O tempo avança e ainda assim é comum encontrarmos muitas empresas que se dizem atualizadas, a frente do seu tempo, mas com uma visão de gestão de pessoas totalmente deturpada em um simples departamento de pessoal.
Do operacional ao tático foi um pulo significativo. Mesmo assim precisamos encarar recursos humanos como um departamento ESTRATÉGICO. Aos românticos conceitos de motivação, liderança e paternalismo ferramentas tecnológicas foram implementadas e isso trouxe a tão desejada aplicação das teorias e fez com que as ações promovidas pudessem ser monitoradas e mensuradas. É claro que os resultados não surgem da noite para o dia, afinal lidamos com gente, mas a gestão de pessoas evolui rapidamente e tornou-se um dos pilares do crescimento de grandes organizações.
O futuro nos dirá se o RH ESTRATÉGICO é uma onda passageira e que o importante é a teoria paz e amor evidenciada em algumas literaturas. Particularmente, prefiro acreditar na gestão de pessoas como parte fundamental e vital de toda e qualquer empresa e invisto no seu crescimento. Entretanto, romances sempre farão parte da nossa cultura e, por isso, continuaremos a estudá-los.
Leonardo M Pérsigo
leonardo@dinamicapessoas.com.br
“De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento..”
Se todas as áreas, não só a de gestão de recursos humanos, mas todas, valorizassem o SER humano como pilar organizacional e com ares românticos (nesse sentido de troca e comunhão de “estar satisfeito”, ou de ser feliz) as histórias seriam outras.
Acredito que não é de inteira responsabilidade do RH em tentar vestir o colaborador com as estampas da empresa, mas sim de toda a organização em dar feedbacks, inter-relacionarem-se, mostrar afeição dentro e fora do ambiente de trabalho. Está ai algo que é de fato um grande diferencial competitivo.
Zelar, tanto, e sempre, afim de estar sempre encantado e motivado a seguir, poderia servir de hino pra muitas organizações.
Adorei o texto, o blog ta cada vez melhor.
Abraços a todos.