Para onde vamos?
Se realizarmos uma pesquisa em buscadores na internet sobre o “Futuro da Gestão de Pessoas”, encontraremos inúmeras pesquisas realizadas sobre tendências da área de Recursos Humanos. Mais importante do que um grande volume de pesquisas, são as conclusões obtidas e o quão rápido é a incorporação destes resultados na vivência empresarial.
Em 2004, o Programa de Estudos em Gestão de Pessoas (Progep) da Fundação Instituto de Administração (FIA), conveniada à Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP), realizou um estudo visando identificar, sob a visão dos gestores de RH, os desafios estratégicos da gestão de pessoas nos próximos cinco anos. As conclusões giraram em relação a duas visões: o alinhamento estratégico da área, desempenho e competências das pessoas às estratégias e metas organizacionais e capacitação dos gestores, e, como ação para isso, investimentos em capacitação e desenvolvimento de lideranças e desenvolvimento de políticas de gestão de pessoas.
Estes conceitos foram rapidamente incorporados pelas empresas que buscam ser competitivas, como mostra o trecho abaixo sobre a Whirlpool – controladora das marcas Brastemp e Consul no Brasil, retirado da Revista Amanhã:
A mudança (conjunto de medidas adotadas para impulsionar a inovação) não se baseia apenas nos investimentos diretos em pesquisa e desenvolvimento (P&D), que absorvem até 2,5% do faturamento líquido anual da Whirlpool no Brasil. O ímpeto inovador da empresa também se deve a uma política de gestão de pessoas diferenciada. O programa anual de Trainee da Whirlpool, por exemplo, paga salários de R$3,4 mil e oferece participação nos resultados, previdência privada e outros benefícios. “Nosso plano de carreira ténica tem como maior objetivo desenvolver jovens com perfil de liderança em curto e médio prazo” afirma Barros (Marcos Vinícius de Barros, gerente geral de Tecnologia Cocção). Já os processos de seleção e contratação são feitos sob medida para manter a Whirlpool bem servida de talentos. “Mais de 300 engenheiros trabalham nos nossos três centros de pesquisa e desenvolvimento” explica Barros. Os centros estão localizados em Joinville (SC) e Rio Claro (SP). Neste quadro técnico, são 60 mestres e quatro doutores.
Neste ano de 2008, a PwC (Pricewaterhousecoopers) realizou o estudo “A Gestão de Pessoas do Futuro”, onde foram traçados cenários surpreendentes sobre como a área se comportará nos próximos 12 anos, quando a chamada “Geração Y” – profissionais que estrearam no mercado de trabalho no início desta década – estará à frente de cargos de gestão e que a partir de 2020 começarão a ditar os rumos das grandes corporações.
Entre as conclusões do estudo estão três cenários sobre as relações de trabalho, que deverão ser influenciadas por duas correntes: Fragmentação x Integração e Individualismo x Coletivismo. Os cenários, chamados de mundos, deverão coexistir pacificamente, em algum momento ou lugar e até certo ponto, sendo descritos da seguinte maneira:
- Mundo Laranja: é o cenário “onde ser grande é ruim para a empresa, para as pessoas e para o ambiente. As empresas globais se fragmentam, o enfoque local predomina, a tecnologia viabiliza um modelo de negócios de baixo impacto e alta tecnologia. As associações profissionais prosperam, enquanto as empresas gigantes declinam”. As pequenas empresas terão que ser rápidas para se tornarem competitivas, utilizando como bases a terceirização da gestão de pessoas, concentrando o seu foco no seu negócio, atraindo talentos para trabalhos e projetos temporários. “A gestão de pessoas implica em assegurar que essas pequenas empresas tenham os recursos humanos necessários para funcionar competitivamente”.
- Mundo Verde: “onde consumidores e empregados exigem mudanças. As empresas desenvolvem uma consciência global poderosa e um senso de responsabilidade ‘verde’. Os consumidores demandam ética e credenciais ambientais como prioridade máxima. A sociedade e os negócios vêem suas agendas se alinharem”. As estratégias para este mundo é alinhar a vida pessoal do colaborador e suas responsabilidades no trabalho, maximizar a satisfação em estar na organização, com políticas holísticas para a gestão de pessoas. O engajamento de talentos se dará pela fusão da responsabilidade corporativa com a gestão de pessoas.
- Mundo Azul: “onde o capitalismo de grandes empresas reina de forma suprema. As empresas globais tomam o palco, a preferência do consumidor domina, uma carreira corporativa separa incluídos de excluídos”. As megacorporações estarão dispostas a recorrer a todo tipo de ferramenta para reter talentos. Serão adotados sistemas como a gestão do desempenho (correlação entre objetivos e métricas) e sofisticados modelos de avaliação de atividade corporativa, fazendo com que os gestores sejam cada vez mais pressionados a justificar os investimentos na área de RH.
E a sua empresa? Está preparada para o futuro das relações humanas?
Você, enquanto profissional, o que espera? Aonde quer ir? Em qual dos mundos quer viver?
São perguntas interessantes a serem feitas, refletidas e entendidas como forma de preparação e auto-conhecimento.
Daniel Rios Viana
daniel@dinamicapessoas.com.br