O que é… dinâmica de grupo?
Num processo de seleção, esclareceu-me um especialista, dinâmica de grupo é “um exercício que ajuda a avaliar, entre vários candidatos, o que mais se adequa ao perfil da função”. E a primeira regra é simples: qualquer deslize pode ser fatal. Por exemplo, esse “adequa” aí se pronuncia “a-dé-cua” ou “ade-cúa”? Quem escolhe a alternativa “a” é eliminado sem dó. E quem escolhe a “b” também. Porque “adequar” é um verbo defectivo, e só há 18 pessoas no Brasil que conseguem conjugá-lo. E, por azar, uma delas é sempre o mediador da dinâmica de que você vai participar.
“Força”, em grego, é dunamis. Daí veio também “dinamite”, palavra inventada em 1867 por Alfred Nobel para batizar sua explosiva invenção. O que isso tem a ver? Tudo, porque, se essa for a primeira pergunta que o mediador fizer, e você não souber a resposta, será descartado. Mediadores não têm muito tempo, por isso precisam descartar gente como você, incapaz de entender a relação entre o cargo a que você está aspirando – de assistente contábil – e a explosão de um carro-bomba em Jerusalém. Porque essa notícia saiu no jornal de hoje, e, se você não leu o jornal de hoje, já sabe…
Numa dinâmica, os candidatos são dispostos em semicírculo, e a partir daí o importante é sobreviver, e só um ou dois conseguirão. Para isso, há algumas estratégias elementares.
Como eu devo me vestir?
Não como dizem os artigos sobre a última moda executiva, mas do jeito que aquela empresa se veste.
O que eu devo falar?
Todas as suas intervenções devem ter um alvo fixo: como você pode contribuir para gerar resultados de curto prazo. Por isso, aprenda tudo o que puder sobre a história da empresa, seus produtos, seus planos e projetos atuais.
O que eu não devo falar?
Evite cacoetes de linguagem (“Tá?” ou “Veja bem”), expletivos inúteis (“Com certeza!”) e frases feitas (“Sempre dou o máximo de mim”). A não ser que a dinâmica seja para escolher o ponta-esquerda de um time de futebol.
Devo interromper os outros ou esperar minha vez de falar?
Esperar pode ser percebido como falta de iniciativa. Interrompa educadamente, mas firmemente.
Quanto eu devo falar?
O mínimo possível. E não mais que 1 minuto. Até porque antes disso alguém irá interrompê-lo, e nem sempre educadamente.
Devo mostrar que sou o maior?
Sem dúvida. A questão é “como”. Se o assunto for “responsabilidade social para com aos favelados” e você começar dizendo “Quando eu fiz minha pós-graduação em Oxford…”, você só estará mostrando que é o maior panaca do grupo. Se seu currículo não fosse bom, você nem estaria ali.
Como eu deixo implícito que sou o maior?
Fazendo o que ninguém faz: elogie alguém do grupo que disse algo interessante, e acrescente algo mais interessante ainda. Desde que não comece a frase com “Só para complementar o que o colega disse…”
E se eu não for o escolhido?
Isso é ótimo. Se você fez tudo certo, e foi autêntico e sincero, ter sido excluído não significa que você não serve para a empresa. Significa que a empresa não serve para você.
Autor: Max Gehringer
Daniel Rios Viana
daniel@dinamicapessoas.com.br